Deu na TV

Penso que a televisão é um dos veículos mais fortes na construção de nosso imaginário sobre cidades. Segundo esta reportagem baseada no IBOPE (aqui), o brasileiro ficou em média 5 horas e 28 minutos por dia diante do aparelho em 2011. Se considerarmos que a pessoa dorme 7 e trabalha 8, supõe-se que o brasileiro não fica acordado em casa sem a TV ligada.

Todos os programas, as séries, as notícias, se passam em algum lugar. E quanto mais nos apegamos aos personagens e enredos, mais elementos vamos conhecendo do espaço em que as coisas acontecem, ou fazem de conta que acontecem.

Há um tempo me deparei com um mapa de séries americanas, elaborado por um site brasileiro. Quase todo o território dos Estados Unidos está coberto por séries, que são assistidas no mundo todo. Há especial concentração de séries em Nova York e Califórnia. O mapa é 2.0, porque se trata de uma atualização. O primeiro foi completado com a ajuda dos internautas, que indicaram correções e novos lugares. Ou seja, centenas de pessoas passeiam virtualmente a cada capítulo de sua série favorita.

Capitais20

Em Nova York, existem agências (como esta) especializadas em levar o turista pelas locações de séries como Sopranos, Sex and the City e Gossip Girl.

Eu ando num momento Washington DC e Virginia, pois não perco um capítulo de Homeland. Mas na verdade, Homeland é filmada na Carlina do Norte, como comprova este site. Não me sinto enganada. Essa mistura do real com o imaginário faz parte. Não há “uma verdade por trás de tudo”. A verdade é justamente a miscelânea entre o que vemos, o que imaginamos e o que está lá.

A TV brasileira também está explorando esse “apego” pelas locações, chamando o espectador para se inserir nos espaços ficcionais/não ficcionais das novelas. O site da novela “Amor à Vida” convida a um passeio virtual, fazendo o link entre cenas e bairros. Apesar de o passeio ser meio sem graça (quase não há cenas externas), o passeio mostra a São Paulo e o Peru que a trama mostra a cada capítulo.

sampa

 

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1 comentário
  1. Nossa, 5 horas e meia por dia é MUITO! Eu escutei outro dia num podcast que os americanos assistem 2 horas e meia por dia. Era um daqueles podcasts sobre produtividade (que a louca aqui adora!) e o autor estava falando sobre o que se pode fazer nesse tempo! Nada que a gente não saiba, mas é meio um choque quando se soma o tempo. E outra… Se isso é a ‘média’ no Brasil, tem gente que não faz mais nada da vida! Mas é interessante mesmo, como a TV acaba criando essa ‘identidade’, aqui de longe às vezes assisto um lá que outro episódio de alguma novela pra ‘me conectar’. Prova de que a TV retrata uma cultura do Brasil que não existe aqui e que eu preciso ‘enxergar’ às vezes pra me lembrar de onde venho. O mesmo acontece com o ‘sonho’ das pessoas que gostariam de morar em NY ou na Califórnia… Fiquei pensando………………

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